Palestra

19 06 2009

Caros amigos,

O quão preparados nós estamos para entrar no mercado de trabalho?
Como nos tornarmos melhores e mais competitivos?
Como poderemos exercer as nossas profissões da melhor maneira possível?

Foi pensando não em responder, mas em nos ajudar a refletir sobre essas questões que a 3E-UEL, o CAEL, o Crea Jr. e o blog ElétricaUel se reuniram para trazer à nossa cidade a palestra “Exercício profissional e sustentabilidade das profissões”, ministrada pelo engenheiro Ênio Padilha, autor de 5 livros e do artigo “Por que é que a gente é assim?” e que já ministrou cursos e palestras para mais de 15.500 profissionais em mais de 150 cidades de todos os estados brasileiros.

“Exercício Profissional e Sustentabilidade das Profissões” é uma palestra destinada aos profissionais e estudantes de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e que tem como objetivo provocar uma reflexão sobre as consequências para o futuro dessas profissões em função da maneira como elas são exercidas pelos profissionais no mercado de trabalho, nas instituições profissionais e nos governos.

Trata-se de uma palestra que busca estabelecer reflexões sobre a atividade individual dos profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia à luz das crenças, valores, princípios, ética e cidadania, buscando realizar a tão pretendida VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL.

Na palestra serão abordados temas como “A definição do exercício profissional”, “O discurso da crise”, “As “pragas” do exercício profissional”, “A importância real da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia para o desenvolvimento e a sustentabilidade da sociedade brasileira”, entre outros. Após a apresentação, haverá ainda um debate sobre o assunto com os presentes.

Local: Anfiteatro do CESA – UEL / Londrina
Horário: 18 horas
Investimento: R$ 5,00
VAGAS LIMITADAS!

INSCRIÇÕES:
Alunos da UEL: De 22/06 a 03/07 no Trailler do CTU
Alunos de outras universidades: Enviar e-mail para palestraenio@gmail.com que nós entraremos em contato!

Mais informações: palestraenio@gmail.com ou (43) 9929-3192 (Mateus)

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Por que é que a gente é assim?

1 06 2009

É na Escola de Engenharia que começa a ser destruída a nossa auto-estima. É na Escola de Engenharia que começa a ser forjado o nosso comportamento autodestrutivo, nosso desprezo pelos valores da própria profissão, nosso desgosto com a nossa própria atividade profissional. É na Escola de Engenharia que nasce a nossa falta de coragem empresarial e essa submissão inaceitável aos caprichos dos clientes.

Engenheiros, Médicos, Arquitetos, Advogados, Agrônomos, Dentistas…

Uma coisa leva à outra: toda vez que, numa conversa qualquer, o assunto “comportamento no mercado” vem à tona acabamos caindo nas inevitáveis comparações de engenheiros, arquitetos e agrônomos com médicos, dentistas e advogados…

Quando me perguntam o que eu acho disso (dessa comparação de profissionais tão diferentes) respondo sempre a mesma coisa: acho que essa comparação é JUSTÍSSIMA.

Se eu, engenheiro, por qualquer motivo, tiver de ser comparado com outros profissionais, acho muito justo que seja com médicos, com dentistas ou com advogados. Afinal temos muito mais coisas em comum do que diferenças. Somos todos prestadores de serviços. Nosso produto (nosso serviço) é altamente especializado e todas essas atividades demandam profissionais com capacidade intelectual diferenciada. Ninguém chega a ser médico, advogado, dentista, agrônomo, arquiteto ou engenheiro apenas por ter um belo par de olhos, uma voz doce, algum dinheiro no banco ou um padrinho influente… A conquista de qualquer um desses títulos demanda qualidades e habilidades especiais, muito estudo e empenho (às vezes até muitos sacrifícios).

Temos, é verdade, muitas semelhanças, quando a comparação é feita no nível da qualificação. Porém, no exercício das profissões e no comportamento empresarial de cada grupo as diferenças aparecem e são enormes. Neste texto concentramos nossas reflexões sobre a formação dos profissionais de Engenharia. No entanto, nossa experiência e a convivência com milhares de arquitetos e agrônomos dos mais distantes lugares do Brasil nos permitem acreditar que os conceitos podem se estender sem problemas também para esses profissionais. Voltemos no tempo.

Voltemos ao tempo em que essa pessoa (que hoje é um engenheiro) tinha seus quinze, dezesseis anos, um ou dois anos antes do vestibular. Esse moço ou essa moça é, muito provavelmente, um dos melhores alunos da sua sala (talvez da escola). É um expoente estudantil, requisitado pelos colegas, elogiado pelos professores, respeitado pelos pais (de quem é motivo de muito orgulho) valorizado pelos parentes, pelos vizinhos, admirado pelas garotas (ou garotos).

Comparemos nosso amiguinho com o estudante de quinze ou dezesseis anos que virá a ser médico, dentista ou advogado.

Veremos quase nenhuma diferença.

É isso mesmo. Na origem, são todos iguais. Têm o mesmo perfil, a mesma história, o mesmo rendimento. Todos são brilhantes e bem sucedidos.

Vem o vestibular. Ingressa, cada qual, na faculdade que escolheu… E é aí que as diferenças começam a aparecer. Os estudantes de medicina e de odontologia são enquadrados em um ambiente novo, com pessoas que se vestem de uma maneira diferente, se comportam de uma maneira diferente e que estabelecem uma identidade visual (e, por decorrência, uma identidade psicológica) com a atividade profissional que irão exercer alguns anos depois.

Os estudantes de direito, já nos primeiros meses de escola convivem com professores que vêm para as aulas de terno, gravata, sapato social, barba feita ou bem cuidada. E o mais interessante: aqueles senhores e senhoras respeitáveis, bem vestidos e de fina educação (os professores), tratam os seus alunos por “senhor” ou “senhora”, com toda a fineza e educação que a prática profissional recomenda. E estimulam seus alunos a acreditar e se convencerem de que são superiores. Que estão se preparando para “falar com o Estado” (privilégio que não é concedido a nenhum outro profissional…). Enfim, aprendem que precisam respeitar os outros, mas aprendem, antes de tudo, que precisam exigir respeito para si.

Nos últimos anos de faculdade, estudantes de odontologia e medicina já se vestem como se médicos ou dentistas fossem. Freqüentam clínicas e atuam como profissionais na área da saúde. Assumem, enfim, um ou dois anos antes de terminada a faculdade, todo um comportamento típico de médico. De dentista.

Os estudantes de Direito, por sua vez, a partir da Segunda metade do curso, já se vestem como advogados (roupa social, sapato, eventualmente gravata e um terno ou blazer…). Mantém com os seus professores e com os seus colegas um comportamento e um vocabulário apropriados para as lides jurídicas. E, o mais importante: são tratados, pelos seus professores, como Doutor. (Dr. Fulano, termine seu relatório até a próxima aula. Dr. Sicrano, esteja preparado para a prova final, na sexta-feira.). Apesar de ainda não terem concluído o curso.

Os estudantes de engenharia, ao contrário, a partir do início do curso, a única diferença que eles conseguem perceber na faculdade, em relação ao ensino médio é o grau de dificuldade (que simplesmente quintuplica!).

Não existe nenhum estímulo a um comportamento novo, nenhuma referência, um exemplo positivo de comportamento.
Nenhuma motivação para um desenvolvimento psicológico alternativo. Nenhum elemento que interfira na formação do profissional do ponto de vista da sua imagem física composta de aspectos visuais e comportamentais. A vida social, no ambiente da faculdade, é muito restrita, quando não inexistente.

Além do mais, a faculdade entra na vida desses jovens como um elemento de ruptura. Os alunos são colocados em uma condição a que eles não estavam acostumados. Estavam acostumados a tirar notas máximas com a maior facilidade e, de repente, passam a sofrer e ter grandes dificuldades para obter notas mínimas ou médias. Deixam de ser respeitados pelos seus professores que se tornam distantes e autoritários e perdem a admiração dos colegas que estão todos desesperados tentando se salvar de uma coisa que ainda não estão entendendo direito.

Não que as faculdades de medicina, direito ou odontologia sejam fáceis. Ocorre que lá os estudantes têm compensações psicológicas que os estudantes de engenharia não têm. Essas faculdades, por diversos mecanismos, inexistentes nas escolas de engenharia, dão continuidade ao amadurecimento psicológico e social do futuro profissional. E, com isto, mantêm em alta a motivação e auto-estima dos seus estudantes.

Na engenharia não existe nenhum processo de acompanhamento psicológico para aquele estudante desesperado que teve a sua carreira de sucesso estudantil subitamente interrompida (mesmo os alunos que continuam conquistando notas altas, acabam sentindo a falta do aplauso dos colegas, do respeito dos professores e da admiração coletiva). E não existe ninguém para explicar o que está acontecendo. Ninguém para dizer a este estudante que ele não é tão inepto ou incapaz como, algumas vezes os professores parecem querer provar.

É quase geral, por parte dos professores, nas escolas de engenharia, a manifestação desnecessária de superioridade intelectual, o exercício gratuito de poder e o terrorismo psicológico.

E o estudante, que entrou na faculdade no auge positivo da auto-estima, vai recebendo, ao longo de cinco anos, das mais variadas formas, uma única mensagem: “Você não é tão bom quanto você pensava que fosse !”.

Ao contrário dos estudantes de direito, medicina ou odontologia, que têm como professores, profissionais que atuam no dia-a-dia de suas atividades, os estudantes de engenharia passam cinco anos submetidos aos rigores (e, em alguns casos, caprichos) de engenheiros que não atuam, profissionalmente, como engenheiros e sim como professores, e que, portanto, não têm a vivência da atividade profissional e não têm a ciência ou a consciência das relações comerciais que vão definir o sucesso ou o fracasso dos profissionais que eles estão formando.

Como resultado disso, ao final de cinco anos, o estudante de engenharia se transforma em um engenheiro. E este engenheiro é completamente desprovido de auto-estima, de respeito próprio, de prazer profissional ou de consciência de mercado. Na metade do último semestre da faculdade, dois meses antes de receber o diploma e ser entregue aos leões do mercado, o estudante de engenharia ainda é tratado como mero es-tu-dan-te.

Em momento algum, durante a faculdade, o estudante de engenharia é tratado como engenheiro, em momento algum, durante esses cinco anos, a escola propicia a percepção da mudança de condição de estudante para a condição de profissional.

Estudantes de direito, medicina e odontologia, ao contrário, muito antes do fim da faculdade já têm uma noção razoavelmente clara das dificuldades do exercício profissional que eles irão enfrentar. Com isso vão desenvolvendo mecanismos psicológicos de defesa e saem da faculdade com maior grau de segurança. Entram no mercado profissional de cabeça erguida, com uma consciência de valor. E com todo o processo de construção da imagem profissional em andamento. Estudantes de engenharia não são estimulados a se vestir bem, nem a ter preocupações com técnicas de comunicação ou relacionamento social ou de exercício intelectual não linear. Com isso acabam não desenvolvendo habilidades gerenciais ou de relacionamento com o mercado.

Esta é uma das razões pelas quais as organizações de engenharia são, quase sempre, extremamente burocráticas e conservadoras.

Engenheiros (ao contrário de advogados, médicos e dentistas) não comandam seu ambiente de trabalho. Por mais que detenham o conhecimento e a técnica, os engenheiros são, via de regra, pouco influentes em relação ao produto final, seja uma construção, uma instalação, um empreendimento complexo ou um processo produtivo.

O mais lamentável é que os engenheiros, via de regra, só vão perceber os resultados da negligência com a imagem física, a comunicação não-verbal e o comportamento no mercado, depois de já terem acumulado muitas perdas desnecessárias (algumas das quais, infelizmente, irreversíveis).

E qual é a utilidade desse discurso? Qual a importância de se colocar este tema no papel? Porque tornar pública esta opinião, que, com certeza aborrecerá alguns segmentos? Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que a simples leitura deste ensaio leve um diretor de escola de engenharia, um professor, um estudante ou um profissional de engenharia a alterar o seu comportamento. O que se espera é que essas pessoas, a quem o texto é dedicado, tenham um momento de reflexão. E que a esse momento de reflexão se siga uma atitude. E que essa atitude tenha como objetivo dar um futuro melhor para a engenharia no Brasil.

A engenharia depende dos engenheiros. E os engenheiros começam a ser formados aos quinze ou dezesseis anos, ainda no ensino médio.

Eu ainda acho, como sempre achei, que o conhecimento científico que é transmitido aos estudantes durante a faculdade de engenharia é fundamental. E que o valor da engenharia está sustentado na capacidade intelectual e técnica dos seus profissionais.

No entanto, vejo como importantíssima uma nova visão, nesse processo de formação do engenheiro, que leve em consideração todo o relacionamento social dos estudantes entre si e com os seus professores. É importante que, aos estudantes, seja transmitida uma visão mais clara das relações comerciais que eles enfrentarão na vida profissional, seja na condição de profissionais autônomos, empresários ou empregados em alguma empresa.

Em qualquer um desses casos as relações sociais são elementos definitivos para o sucesso. É um “detalhe” que faz toda a diferença.

O estudante chega ao curso de Engenharia cheio de sonhos com a auto-estima elevada, transpirando confiança e auto-respeito. É muito triste que, dez ou quinze anos depois esse potencial tenha se transformado em um sujeito cabisbaixo, sem consciência de valor, destituído de auto-estima e respeito próprio. Abrindo mão da sua natural vocação de agente do desenvolvimento para ser mero instrumento de trabalho para terceiros.

Na Escola de Engenharia o engenheiro precisa ser “construído” para ser um vencedor. Precisa ser estimulado a acreditar no seu potencial. Confiar na sua inteligência. E, acima de tudo, precisa aprender a importância de manter a cabeça erguida.


O texto acima foi escrito pelo engenheiro Ênio Padilha e foi postado na comunidade da Elétrica há algum tempo atrás. Eu achei fantástico. Concordo com cada palavra e reconheci o curso que frequento em cada parágrafo. Muito do que o Ênio fala eu já falei e já escrevi ao longo desses anos e fico até com uma ponta de inveja de não ter conseguido reunir tudo em um texto só como esse.

Eu sinto que o ensino no nosso país está a um passo de uma revolução. A maioria das universidades públicas já não conseguem acompanhar a evolução do mundo, principalmente um curso de tecnologia como o nosso. Hoje não há mais espaço para organizações burocráticas e lentas como as universidades públicas. No cenário atual, uma organização que leva 3 anos pra entregar um equipamento de tecnologia solicitado será engolida sem piedade por organizações privadas muito mais dinâmicas, muito mais organizadas, muito mais focadas e muito mais precupadas com resultados.  A popularização do ensino à distância vai permitir que estudemos em nossas casas com os melhores professores do país e do mundo. Só sobrarão as melhores. Duvida? Então pergunte aos seus pais em qual escola eles estudaram quando eram novos. Em uma escola pública. E elas eram, de fato, as melhores. Hoje, um pai que quer garantir Educação de qualidade aos seus filhos tem que desembolsar pelo menos R$ 400,00/mês em uma escola particular. Com as universidades vai acontecer a mesma coisa.  É triste dizer, mas a nossa geração vai pagar universidade particular para os seus filhos porque simplesmente universidades públicas já não serão mais as melhores.

O mundo mudou e a educação pública ficou parada lá atrás. A máquina pública brasileira não é competitiva. Já dá pra ver mudanças em alguns governos e em algumas escolas, mas ainda são muito pontuais. Uma escola de Engenharia que começar a trabalhar esses pontos aí de cima hoje vai liderar amanhã. E quem não trabalhar esses pontos vai morrer. Não é novidade, é o evolucionismo em prática.

O engenheiro Ênio Padilha vai estar em Londrina no dia 6 de julho ministrando, no anfiteatro do CESA, às 16 horas, a palestra “Exercício Profissional e Sustentabilidade da Profissão”. Para confirmar a sua presença desde já CLIQUE AQUI.

Comentários, críticas e sugestões para esse post serão muito bem-vindas!





Edital de Seleção de Pré-Incubação

7 04 2009

Intuel

Intuel

Essa é especial para os empreendedores do curso!

A Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (INTUEL) abriu as inscrições para a seleção de empreendimentos nas modalidades de pré-incubação residencial e não residencial.

Estão abertas 9 vagas de pre-incubação residentes e 10 vagas de pre-incubação não residentes.

O Edital esta no site da INTUEL (www.intuel.org.br) onde vocês podem encontrar mais informações.





Vale do Silício brasileiro

1 04 2009

Acredito que uns 90% das pessoas que entraram comigo na Elétrica entraram pensando em seguir a carreira da Telecom. Naquela época todas as mídias e todos os olhos estavam voltados para essa área que prometia emprego garantido, bons salários, etc. Nessa época o sonho de muitos de nós era estudar em Santa Rita do Sapucaí, no Inatel.

Esse vídeo abaixo é uma reportagem do Mundo S/A, excelente programa da Globo News, sobre o Vale da Eletrônica brasileiro que nasceu ao redor do Inatel. Apesar de o tema ser eletrônica, essa história é sobre EMPREENDEDORISMO e o que se é capaz de fazer quando ele é bem trabalhado.

Li em algumas reportagens antigas que na época da fundação do nosso curso havia uma intenção de que Londrina, através do projeto Londrina Tecnópolis, se tornasse um pólo industrial. Hoje em dia o nosso curso é voltado para formar pesquisadores acadêmicos e, apesar de termos uma das 20 melhores empresas juniores do Brasil no nosso curso, ainda falta muito para que empreendedorismo seja visto como uma parte importante do nosso processo de formação.

Se não estiverem interessados em aprender sobre Raw Food esperem o vídeo carregar e pulem para os 12 minutos!






Posicionamento

2 03 2009

publicidade-espm1

Essa imagem é de uma peça de publicidade da ESPM – Escola Superor de Propaganda e Marketing.
Reparem como eles se posicionam claramente para o mercado, para os futuros alunos e para a sociedade.

Essa é a missão da ESPM:

Formar líderes empreendedores em suas profissões e setores de atividade, que atuem como difusores de padrões de excelência ética e técnica, cultivando o compromisso de origem com as agências de propaganda, mídia e anunciantes, desenvolvendo estudos e produzindo novos conhecimentos que mantenham a ESPM como um patrimônio do mercado publicitário e do mundo dos negócios.

A unidade de São Paulo da ESPM oferece os cursos de Administração, Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, Design e Relações internacionais. Agora vamos voltar a missão da ESPM e observar que ela não fala em formar administradores, designers, publicitários, etc. Ela fala em líderes empreendedores.

A peça publicitária acima está alinhada com a missão da escola, fala simples e os põe onde eles querem estar.

Nessa página do site da ESPM unidade São Paulo você encontra, além da missão da ESPM, os valores e esse texto:

Excelência e Ensino

- Buscar constantemente a Excelência Acadêmica e em todas as outras áreas de atuação da escola, no relacionamento com alunos e com a sociedade;
- Aprender enquanto se ensina, em um processo permanente de renovação;
- Colocar o foco do ensino no aprendizado, a partir do pressuposto de que as pessoas crescem por si mesmas, à medida em que são estimuladas;
- Evoluir de “Aqui ensina quem faz” para “Aqui ensina quem faz e explica o porquê”, refletindo a nova ênfase em conhecimento científico;

Reparem que pra ESPM o “Ensina quem faz” está ultrapassado. Além de fazer e ensinar, o professor tem que mostrar o porquê.

A ESPM é reconhecida como a melhor escola de Propaganda e Marketing do Brasil.
A taxa de empregabilidade dos formandos da ESPM é uma das mais altas do mercado.

Quem faz Engenharia Elétrica na UEL costuma ver a empresa de onde?
Qual a missão da Engenharia Elétrica da UEL?
Como o curso de Engenharia Elétrica da UEL quer ser visto pelo mercado?
Como o curso de Engenharia Elétrica da UEL quer ser visto pelos futuros ingressantes?
Quais os valores do curso de Engenharia Elétrica da UEL?
O que o curso de Engenharia Elétrica da UEL entende por Excelência e Ensino?





Boas vindas!

2 03 2009

Olá pessoal da Elétrica. Esse é o 1º post do ano após a volta as aulas. Desde já, o ELÉTRICAUEL dá as boas vindas aos novos alunos de Engenharia Elétrica da UEL. Sintam-se honrados pelo curso que escolheram. Atualmente é uma das profissões mais visadas em que a sociedade, em geral, aposta para transformar o país em uma potência não só econômica mas também tecnológica. Queiram ou não, são os engenheiros os responsáveis por melhorar a qualidade de vida dos serem humanos, ainda mais em um começo de século em que a tecnologia cada vez faz mais parte do nosso dia-a-dia.

Para quem ainda não sabe, o ELÉTRICAUEL é o blog do nosso curso. Criado em Dezembro de 2007 com o intuito de ser um canal de informação sobre os acontecimentos relacionados ao nosso curso. Tem como foco também, manter os alunos informados sobre notícias e curiosidades de interesse de quem estuda e pretende trabalhar com tecnologia. Em 2008, ficamos felizes com a audiência que o blog obteve, principalmente com a cobertura, quase completa, da Copa Ohm. Esse ano, pretendemos melhorar ainda mais, procurando sempre manter o blog atualizado.

Contamos com a participação de todos os alunos, professores e até de pessoas não relacionadas ao nosso curso, escrevendo suas opiniões sobre os posts do blog. Esse interatividade é de extrema importância não só para o sucesso do blog, mas para manter um canal aberto para a discussão de idéias e manter sempre todos “atenados” com tudo que acontece em nosso curso e com as inovações tecnológicas, que está sempre em evolução.

Mais uma vez o ELÉTRICAUEL deseja boas vindas aos novos alunos. Contamos com a participação de vocês, assim como de todos os veteranos e professores do curso.

Abraços.

Bloggers do ELÉTRICAUEL.





Discurso Formatura 2009

13 02 2009

No dia 23 de janeiro aconteceu a festa de formatura da 8ª turma de Engenharia Elétrica da UEL. O orador foi o senhor ex-presidente da 3E-UEL Felipe Falleiros, a quem coube a responsabilidade de homenagear a comissão de formatura, os professores, os amigos e ainda fazer o discurso de orador. Foi um discurso longo é verdade, mas que fugiu do lugar comum e foi FERA. Para os que não estiveram presentes na festa e para os que estiveram mas não conseguiram entender o que ele dizia, segue abaixo o discurso na íntegra.

Colegas formandos, pais, professores, amigos e convidados.
Primeiramente, gostaria de agradecer a presença de todos nesta festa de comemoração da colação de grau da 8ª turma de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina.

Com certeza não foi fácil ver a comissão de formatura ir de 5 pessoas para apenas 2 e quando a responsabilidade caiu no colo destes dois bravos colegas eles fizeram bonito, e é por isso que eu gostaria de começar este discurso agradecendo imensamente nossos colegas, mais do que isso, nossos bons amigos, Luciano “Pexe” Taho e Luis “Toco” Nakamura.

Agradeço também em nome de toda a turma a todos os professores do curso de Engenharia Elétrica, pelos bons exemplos que nos serviram de inspiração e aos professores que nos deram péssimos exemplos, os quais, tenho certeza, tomaremos imenso cuidado para não os repetir.

Homenageamos hoje também, os professores que nossa turma escolheu para nos representar. Com sua pouca idade e imenso conhecimento, demonstrou dinamismo em suas aulas e uma paixão por projetos que contagiou toda a turma, transformando as aulas de laboratório em algo aplicável, interessante e simples. Por essas e por outras, é que homenageamos hoje como Patrono de nossa turma, o professor Francisco Granziera Jr.

Trabalhando sempre com seriedade, profissionalismo e se empenhando em dar boas aulas, possuidor de uma excelente didática e também contador de piadas quase sempre sem graça, mas que quebram o gelo da aula e as deixam muito mais interessantes, homenageamos hoje com o título de Paraninfo, o Professor Ernesto Fernando Ferreyra Ramírez.

Por último e não menos importante, o professor que nos mostra diariamente que conhecimento não se mede na quantidade de palavras bonitas e difíceis faladas em sala de aula, com seu jeito cômico de se expressar, peça rara no Departamento de Engenharia Elétrica, e com o título de Nome de Turma, homenageamos o Professor Leonimer Flávio de Melo.

Chegamos finalmente ao tão desejado momento. Não foi fácil. Durante cinco, seis, sete e até oito anos, fizemos algo que poucos que entram na faculdade hoje fazem de verdade: Estudamos.
Claro, alguns mais, outros menos, mas a verdade é que neste curso, levar com a barriga é uma coisa que não dura por muito tempo. Inevitavelmente, hora ou outra, você acaba tendo que estudar.
Poucos sabem o que é passar uma madrugada estudando e não tem idéia do que é passar várias madrugadas tomando café, pó de guaraná, tereré, comendo desde club social até o famigerado X-Laboratório do água viva, com muita maionese verde, obviamente.

Durante o ensino médio, poucos que entraram nessa turma não eram destaques em suas salas de aula. Alguns seguiram o ritmo e continuaram tirando boas notas. Mas é minoria aqueles que nunca pegaram uma prova de cálculo, eletromagnetismo ou circuitos eletrônicos e não esbarram em um zero ou algo ridiculamente próximo a isso. É nessa hora que você desce do seu pedestal alcançado no ensino médio e vê que você não é tão fodão quanto você achava. Felizmente pra mim esta ilusão durou menos de três meses, para alguns demorou um pouco mais, mas aconteceu.

Essa turma deveria receber uma medalha honra ao mérito pelas dificuldades encontradas. Sair do saudoso colegial e dar de cara com o professor Taufik e seu jeito bizarramente confuso de dar aula. Depois Marcelo, Albo e Castaldo duas vezes, sem esquecer o golpe inesperado do professor Hélio, vulgo Charles Brownson. Ainda tivemos mais uma dose de Taufik junto com Treviso e seu método de correção de provas absurdo. E para terminar o curso, porque não José Alexandre com suas provas irrealizáveis em tão pouco tempo e seu discurso de “o problema de vocês não me interessa”.

Dos 40 ingressantes na turma de 2004, se formam hoje apenas 14. É a mistura destes alunos que nunca conheceram o amargo sabor de uma reprovação com outros que não tiveram a mesma sorte ou competência, que estamos comemorando hoje.

No começo, esta turma dividia-se claramente entre os alunos da frente e os do fundão, ou mais precisamente, os que estudavam e os que levavam o curso de modo mais leviano.
Demorou até que começássemos a nos unir, é verdade, mas aconteceu. E foi ótimo. Os vagabundos do fundão finalmente começaram a estudar, e os estudiosos da frente começaram a ir em churrascos e barzinhos. Todos saímos beneficiados desta experiência, afinal de contas, não adianta nada ser bem relacionado, saber lidar com pessoas, se não tiver um mínimo de conhecimento. E obviamente, só estudar e não saber se relacionar também é prejudicial à carreira e a vida como um todo.

Fazemos parte hoje de uma pequena elite, que se forma em bons cursos superiores em boas universidades públicas. Antes de deixarmos nossos governantes transformarem as universidades públicas em uma sucateada piada de mal gosto, temos o poder de fazer algo.

Infelizmente, assim como aconteceu ao longo dos anos com os colégios públicos que eram extremamente superiores aos particulares e se tornaram uma sucateada piada de mal gosto do nosso governo, nossas universidades também vêm sendo massacradas por consecutivas administrações irresponsáveis do governo que pouco se importam com a qualidade do ensino e mesmo dentro da nossa universidade vemos descaso com a eficiência e competência e apologia a truculência, desorganização e partidarismo político do melhor tipo populista que tanto nos prejudica, aquela famosa “camaradagem”. Me enoja ver este quadro, e sei que a maioria de vocês também.

Mas sempre existe e existirá esperança de que as coisas sejam feitas da maneira correta enquanto houver jovens se formando com pensamento de mudança.

É fato que esta turma de engenharia nunca foi das mais contestadoras, polêmicas ou segura de si, mas passou da hora de acordar. Alguns se engajaram no trabalho no CAEL, nosso centro acadêmico, no CREA Jr ou na 3E, nossa empresa júnior e até em projetos sociais de extensão da UEL. Os que não participaram destas atividades por impossibilidade, fica o meu lamento. Aos que ficaram dormindo até agora, por favor, acordem.

Nosso planeta não está mudando mais. Ele já mudou! E para que haja o desenvolvimento sustentável da humanidade, a sociedade depende daqueles que dominam a arte de usar a técnica para realizar aquilo que a imaginação humana concebe. Estou falando de nós, engenheiros. É para isso que estamos aqui.

O mundo assistiu, quase como se fosse a final da copa do mundo, a posse do primeiro presidente negro dos estados unidos. E por quê? Será que um homem só, com o poder quase unicamente representativo que tem um presidente, pode fazer tanta diferença assim? Dificilmente.
Mas porque ele representa uma mudança no sistema, uma mudança no consciente coletivo, uma quebra de paradigma na humanidade como um todo. E dos mais céticos aos mais crentes, todos sabem que o mundo chegou a um momento crítico onde as mudanças não são mais necessárias e sim obrigatórias. Que momento melhor para se criar e enxergar oportunidades de mudança do que uma crise como a crise financeira que estamos vivendo?
Pois bem, ao contrário do que dizem os políticos, a crise chegou sim no Brasil e vai ficar, provavelmente não tão devastadora quanto nos EUA ou Europa, mas já foi causadora de desempregos em massa, fechamento de grandes empresas e até fusões milagrosas.

O planeta vive uma necessidade de revolução, reinvenção, readequação e criação. Só não percebe isso quem está com a cabeça num buraco como um avestruz.

Bom, eu posso ser jovem, posso ter pensamentos que os mais experientes consideram tolos de querer mudar o que está errado, mas se eu, ou melhor, se nós não pensarmos assim, então a sociedade está com sérios problemas.
Acreditem na força de uma idéia, acreditem nesta mudança em massa, usem a inteligência dada por Deus a vocês e o conhecimento adquirido ao longo deste curso para mudar a sua realidade. E não pensem que será tentando um projeto megalomaníaco que mudaremos o mundo. São pequenas ações, pequenos gestos, que seja melhorando a vida apenas ao nosso redor, conseguiremos mudar o caminho da sociedade SIM.

O colégio e a universidade brasileira tradicional forma empregados e não empregadores. Somos hoje, como engenheiros recém-formados, uma espécie de funcionários “top de linha” da sociedade. Mas, vamos nos contentar com apenas isso? Ser mais um empregado, mais um passivo na sociedade? Independente disso, o pensamento de mudança e melhoria deve seguir aonde quer que formos, seja sendo o melhor funcionário de uma empresa, o melhor professor e pesquisador de uma universidade, ou um excelente empresário, temos que dar nosso melhor e aqui, neste salão, eu não consigo ver para nenhum dos formandos, um caminho que não seja de sucesso, realização profissional e o que é muito mais importante, de realização pessoal.

Por algumas vezes, teremos medo do que nos aguarda. No entanto, lembrem-se que coragem não é a ausência do medo, e sim, a capacidade de agir mesmo morrendo de medo.

É hora de fazermos a diferença, de nos tornarmos protagonistas de um mundo melhor, de enfrentarmos os obstáculos da vida de peito aberto, cabeça erguida e não nos importar com os socos que levaremos ao longo do caminho. Por mais improvável que seja o local de onde eu tirei esta frase que falarei agora, ela significou e significa muito pra mim. Então, diretamente do filme de Sylvester Stallone, intitulado “Rocky Balboa”, lembrem-se: “Ninguém nos bate tão forte quanto a vida. Mas não se trata do quão forte você pode revidar, mas sim, do quanto você agüenta apanhar e continuar seguindo em frente”.

Muito obrigado, bom trabalho e que Deus no ajude.

Felipe Ferreira Falleiros
Orador da Formatura da 8ª Turma de Engenharia Elétrica da UEL





Pontos Fortes x Pontos Fracos

28 01 2009

Em 2009 o EletricaUel pretende trabalhar com posts voltados mais para o nosso curso e gostaria de contar mais com a participação de alunos e professores. Para inagurar essa nova fase, foi perguntado aos alunos do curso, através dos fóruns, quais os pontos fortes e quais os pontos fracos do curso na opinião de cada um. As respostas recebidas estão listadas abaixo.

Não deu a sua opinão? Envie-a para contato@eletricauel.com ou comente este post! Conforme as respostas forem chegando nós atualizaremos a lista!

PONTOS FORTES

  • Nível dos alunos;
  • Ainda há professores doutores e mestres;
  • Empresa Júnior;
  • C.A.;
  • Alunos engajados;
  • Alunos com grande potencial: o fato do curso ter uma relativamente alta concorrência no vestibular contribui para que, de certa forma, seja feita uma seleção com alguns dos melhores alunos prestando o vestibular;
  • Força na região: a UEL é a universidade que oferece um dos melhores cursos de Engenharia Elétrica na região. Algumas faculdades particulares têm crescido muito, porém, o nome da UEL continua forte entre os concorrentes da região;
  • Superação de obstáculos: querendo ou não, o curso é difícil, e muito. Diante de tantas situações adversas, acredito sim que o aluno cresce muito como pessoa durante o curso. Pelo menos como foi o meu caso, hoje vejo que sou muito mais capaz do que quando comecei o curso. Podemos não manjar de eletrônica, telecom ou outra matéria do curso, mas com certeza somos realmente preparados para nos depararmos com um problema e procurar sua solução (não estou falando de resolver exercício e tal, mas sim em uma situação de trabalho). Como havia falado o professor Gileno no cursinho: “O engenheiro é um dos profissionais mais procurados nas empresas porque ele aprende a coisa mais importante no curso. Ele aprende a aprender.” Do meu ponto de vista, é a adaptação à situação, seja ela qual for, adapte-se a ela, o mercado exige isso;
  • Pesquisas realizadas pelos professores;
  • Quantidade de doutores e mestres presentes no departamento;
  • A existência de mestrado (por mais que não seja super forte, mas nosso curso ainda é bastante novo);

PONTOS FRACOS (Oportunidades de melhoria)

  • Poucos projetos de pesquisa;
  • Poucos professores doutores;
  • Rotatividade de professores;
  • Estrutura física deficiente (laboratórios, bibliotecas, ou seja, recursos financeiros);
  • Poucas oportunidades de estágio: não é exatamente uma falha do curso, mas como o curso é em Londrina sabemos que aqui não é o melhor lugar para estagiar na área de tecnologia. Há poucas opções se formos comparar com regiões mais industrializadas. Além disso, as empresas preferem oferecer estágio aos alunos de faculdades particulares, por terem mais disponibilidade de horário;
  • Interatividade entre aulas práticas e teóricas: quando as disciplinas que têm parte prática e teórica são dadas por professores diferentes, geralmente o que ocorre são aulas sem nexo. Quando o mesmo professor dá as aulas práticas e teóricas percebe-se que há coerência entre os assuntos e assim flui melhor. Agora quando um professor dá as aulas teóricas e o outro a prática, parece que viram disciplinas diferentes. Tenho a impressão que não há comunicação entre esses professores;
  • Professores vs. Alunos: realmente gostaria que os professores fossem vistos como amigos pelos alunos e vice-e-versa. Às vezes tenho a impressão que alguns professores acham que são seres superiores (salvo excessões), que devem sempre estar em um nível acima do aluno. Quando uma sala inteira vai bem em uma prova, alguns professores pensam: “Essa prova tava fácil demais, na próxima vou ter que dar uma dificultada” ao invés de pensar que seu ensino está fluindo, que está conseguindo transmitir a matéria, que os alunos estão aprendendo. E quando a sala inteira vai mal, o pensamento é: “Vocês não estão estudando” ao invés de pensar “Será que eu sou um bom professor?”, “Será que os alunos não estão entendendo o que eu quero passar?”, “Será que a minha metodologia é ruim?”;
  • Falta de entusiasmo mútuo (alunos e professores);
  • Localização geográfica (Londrina não é um grande pólo industrial);
  • Falta de disciplinas especiais;
  • Falta de eventos sobre a nossa área na região;

E na sua opinião? Quais os pontos fortes e os fracos do curso? Não deixe de participar!





Fábrica de maus professores

30 11 2008

A entrevista abaixo foi publicada na revista Veja, edição 2088 de 26 de novembro de 2008. Os grifos são meus.

Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: “Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores”. Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos.

Sua pesquisa mostra que as faculdades de pedagogia estão na raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Como?
As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas. Minha pesquisa aponta as causas. A primeira, sem dúvida, é a mentalidade da universidade, que supervaloriza a teoria e menospreza a prática. Segundo essa corrente acadêmica em vigor, o trabalho concreto em sala de aula é inferior a reflexões supostamente mais nobres.

Essa filosofia é assumida abertamente pelas faculdades de pedagogia?
O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados.

O que, exatamente, se ensina aos futuros professores?
Fiz uma análise detalhada das diretrizes oficiais para os cursos de pedagogia. Ali é possível constatar, com números, o que já se observa na prática. Entre catorze artigos, catorze parágrafos e 38 incisos, apenas dois itens se referem ao trabalho do professor em sala de aula. Esse parece um assunto secundário, menos relevante do que a ideologia atrasada que domina as faculdades de pedagogia.

Como essa ideologia se manifesta?
Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia.

Quais os efeitos disso na escola?
Quando chegam às escolas para ensinar, muitos dos novatos apenas repetem esses bordões. Eles não sabem nem como começar a executar suas tarefas mais básicas. A situação se agrava com o fato de os professores, de modo geral, não admitirem o óbvio: o ensino no Brasil é ainda tão ruim, em parte, porque eles próprios não estão preparados para desempenhar a função.

Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.

Como os sindicatos prejudicam a sala de aula?
Está suficientemente claro que a ação fundamental desses movimentos é garantir direitos corporativos, e não o bom ensino. Entenda-se por isso: lutar por greves, aumentos de salário e faltas ao trabalho sem nenhuma espécie de punição. O absenteísmo dos professores é, afinal, uma das pragas da escola pública brasileira. O índice de ausências é escandaloso. Um professor falta, em média, um mês de trabalho por ano e, o pior, não perde um centavo por isso. Cenário de atraso num país em que é urgente fazer a educação avançar. Combater o corporativismo dos professores e aprimorar os cursos de pedagogia, portanto, são duas medidas essenciais à melhora dos indicadores de ensino.

A senhora estende suas críticas ao restante da universidade pública?
Há dois fenômenos distintos nas instituições públicas. O primeiro é o dos cursos de pós-graduação nas áreas de ciências exatas, que, embora ainda atrás daqueles oferecidos em países desenvolvidos, estão sendo capazes de fazer o que é esperado deles: absorver novos conhecimentos, conseguir aplicá-los e contribuir para sua evolução. Nessas áreas, começa a surgir uma relação mais estreita entre as universidades e o mercado de trabalho. Algo que, segundo já foi suficientemente mensurado, é necessário ao avanço de qualquer país. A outra realidade da universidade pública a que me refiro é a das ciências humanas. Área que hoje, no Brasil, está prejudicada pela ideologia e pelo excesso de críticas vazias. Nada disso contribui para elevar o nível da pesquisa acadêmica.

Um estudo da OCDE (organização que reúne os países mais industrializados) mostra que o custo de um universitário no Brasil está entre os mais altos do mundo – e o país responde por apenas 2% das citações nas melhores revistas científicas. Como a senhora explica essa ineficiência?
Sem dúvida, poderíamos fazer o mesmo, ou mais, sem consumir tanto dinheiro do governo. O problema é que as universidades públicas brasileiras são pessimamente administradas. Sua versão de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos. Essa é uma situação que piorou, sobretudo, no período de abertura política, na década de 80, quando, na universidade, democratização se tornou sinônimo de formação de conselhos e multiplicação de instâncias. Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica. Para agravar a situação, os maus profissionais não podem ser demitidos. Defino a universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada.

Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora?
Sou contra. Nos países onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro. Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados. Estes são, naturalmente, uma minoria. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países.

As faculdades particulares são uma boa opção para os outros estudantes?
Freqüentemente, não. Aqui vale a pena chamar a atenção para um ponto: os cursos técnicos de ensino superior, ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros, formam gente mais capacitada para o mercado de trabalho do que uma faculdade particular de ensino ruim. Esses cursos são mais curtos e menos pretensiosos, mas conseguem algo que muita universidade não faz: preparar para o mercado de trabalho. É estranho como, no meio acadêmico, uma formação voltada para as necessidades das empresas ainda soa como pecado. As universidades dizem, sem nenhum constrangimento, preferir “formar cidadãos”. Cabe perguntar: o que o cidadão vai fazer da vida se ele não puder se inserir no mercado de trabalho?

Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos alunos freqüentam essas escolas técnicas. No Brasil, são apenas 9%. Por quê?
Sempre houve preconceito no Brasil em relação a qualquer coisa que lembrasse o trabalho manual, caso desses cursos. Vejo, no entanto, uma melhora no conceito que se tem das escolas técnicas, o que se manifesta no aumento da procura. O fato concreto é que elas têm conseguido se adaptar às demandas reais da economia. Daí 95% das pessoas, em média, saírem formadas com emprego garantido. O mercado, afinal, não precisa apenas de pessoas pós-graduadas em letras que sejam peritas em crítica literária ou de estatísticos aptos a desenvolver grandes sistemas. É simples, mas só o Brasil, vítima de certa arrogância, parece ainda não ter entendido a lição.

Faculdades particulares de baixa qualidade são, então, pura perda de tempo?
Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados – daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante. Que ninguém espere entrar numa faculdade de mau ensino e concorrer a um bom emprego, porque o mercado brasileiro já sabe discernir as coisas. É notório que tais instituições formam os piores estudantes para se prestar às ocupações mais medíocres. Mas cabe observar que, mesmo mal formados, esses jovens levam vantagem sobre os outros que jamais pisaram numa universidade, ainda que tenham aprendido muito pouco em sala de aula. A lógica é típica de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Por que num país em desenvolvimento o diploma universitário, mesmo sendo de um curso ruim, tem tanto valor?
No Brasil, ao contrário do que ocorre em nações mais ricas, o diploma de ensino superior possui um valor independente da qualidade. Quem tem vale mais no mercado. É a realidade de um país onde a maioria dos jovens está ainda fora da universidade e o diploma ganha peso pela raridade. Numa seleção de emprego, entre dois candidatos parecidos, uma empresa vai dar preferência, naturalmente, ao que conseguiu chegar ao ensino superior. Mas é preciso que se repita: eles servirão a uma classe de empregos bem medíocres – jamais estarão na disputa pelas melhores vagas ofertadas no mercado de trabalho.

A tendência é que o mercado se encarregue de eliminar as faculdades ruins?
A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa. Isso já foi comprovado num levantamento feito com base no antigo Provão. Ao jogar luz nas instituições que haviam acumulado notas vermelhas, o exame contribuiu decisivamente para o seu fracasso. O fato de o MEC intervir num curso que, testado mais de uma vez, não apresente sinais de melhora também é uma medida sensata. O mau ensino, afinal, é um grande desserviço.

A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse?
Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação.

Agora, se o curso de pedagogia não consegue formar bons professores, imagina o curso de Engenharia…





Elétrica 4 estrelas

23 10 2008

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) recebeu os resultados da avaliação dos cursos de graduação realizada pelo Guia do Estudante da Editora Abril, que constarão da publicação “Melhores Universidades – 2008″, destacando quais as graduações estão entre a elite do país.

O Guia classifica os cursos como 5 estrelas (excelente); 4 estrelas (muito bom) e 3 estrelas (bom). Este ano a editora avaliou 36 cursos da UEL. Destes, sete receberam 5 estrelas; 21 ficaram com 4 estrelas e oito receberam 3 estrelas. Não foram avaliados pelo Guia do Estudante os cursos de Educação Artística, Filosofia, Letras (licenciatura), Música e demais cursos de licenciatura.

Os cursos que receberam 5 estrelas são: Ciências Biológicas/CCB, Psicologia/CCB, Enfermagem/CCS, Fisioterapia/CCS, Medicina/CCS, Comunicação Social – Relações Públicas/CECA e Serviço Social/CESA.

Os cursos que receberam 4 estrelas são: Agronomia/CCA, Medicina Veterinária/CCA, Zootecnia/CCA, Geografia/CCE, Matemática- bacharelado/CCE, Química/CCE, Ciências Sociais/CCH, Letras – bacharelado/CCH, Farmácia/CCS, Odontologia/CCS, Arquivologia/CECA, Biblioteconomia/CECA, Pedagogia/CECA, Educação Física/CEFE, Esporte/CEFE, Administração/CESA, Direito/CESA, Secretariado Executivo/CESA, Arquitetura e Urbanismo/CTU, Engenharia Civil/CTU e Engenharia Elétrica/CTU.

Os cursos com 3 estrelas são: Biomedicina/CCB, Física/CCE, Artes Cênicas/CECA, Comunicação Social – Jornalismo/CECA, Design de Moda/CECA, Design Gráfico/CECA, Ciências Contábeis/CESA e Ciências Econômicas/CESA.

Fonte: www.bonde.com.br